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Camadas

Pessoa conhecida

09.07.19, Francisco Chaveiro Reis

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No rescaldo da morte de João Gilberto, Jair Messias Bolsonaro, o polêmico presidente do Brasil, referiu-se ao artista como “pessoa conhecida”. Foi logo criticado pela pouca profundidade do comentário sobre o “Pai da Bossa Nova” e logo foi lembrado o caso em que prestou homenagem ao DJ Reaça, longe de ter o CV de João Gilberto ou de ser impoluto.

João Gilberto dispensa apresentações e o seu legado é impossível de medir, mas não deixa de ser interessante, do ponto de vista da comunicação que Bolsonaro se tenha lembrado da expressão “pessoa conhecida” como resumo da vida de Gilberto.

Obrigações estatais à parte (Bolsonaro não tem que conhecer ou gostar da obra, mas tem que prestar a devida homenagem como Presidente), Bolsonaro valorizou João Gilberto não pela sua carreira impactante e única, mas sim por ser uma “pessoa conhecida”, como tantos outros milhares no Brasil.

É claro que se somaram reações apropriadas e sentidas à perda de João Gilberto mas a forma como Bolsonaro reagiu acaba por se sobrepor, sobretudo porque perdeu uma boa oportunidade de comunicação.

Sendo tão criticado, um elogio profundo a uma personalidade consensual, poderia recolher pontos de simpatia junto dos seus críticos.

O marketing da nostalgia

01.07.19, Francisco Chaveiro Reis

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Stranger Things, uma das séries mais aclamadas a nível mundial, voltou para a sua terceira aparição.

Por esta altura, já milhões de pessoas esperam pela quarta temporada, mal-habituadas ao binge-watching, de conteúdos em plataformas de streaming, como a Netflix. Mas isso agora não interessa.

A estreia foi a 4 de julho, feriado no EUA natais da série, mas muito antes já o marketing trabalhava.

Várias foram as marcas que se associaram ao imaginário de Hawkins para lançar novos produtos que, seguindo a tradição Star Wars, foram devorados por uma horda de fãs.

A LEGO lançou um set novo que inclui as personagens centrais e a casa onde a ação tem lugar na primeira temporada; a Nike lançou uma linha inspirada em modelos seus dos anos 80; apareceu literatura e a McFarlane continua a produzir e a lançar action figures extramente realistas.

Vendo o potencial da série, 70 das maiores marcas do mundo apostaram no marketing de nostalgia.

No centro do tomo 3, está o centro comercial Starcourt, oportunidade de ouro para as marcas fazerem product placement, mesmo que estejamos a falar de ação passada em 1985.

Marcas como a Burger King, GAP ou JC Penney não se importaram nada de pagar para ter o seu logo e look dos anos 80, pensando nos consumidores que poderiam captar, através do apelo emocional de estarem presentes na sua série favorita e mostrarem que já cá andam há uns anos.

É cedo para dizer que se a estratégia só funcionou emocionalmente ou se se traduziu em vendas mas uma coisa é certa os consumidores gostam da nostalgia e pagam bem por ter a experiência de viajar no tempo.