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Camadas

O caso Carreira

25.06.19, Francisco Chaveiro Reis

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A história é curta. Alguém da assessoria de imprensa de David Carreira passou uma informação, que sabia ser falsa, a um meio de comunicação social. Confiando na sua fonte, o meio publicou a notícia apenas para descobrir que tinha sido enganado.A informação – David detido nos EUA – era apenas uma forma de promover um novo videoclipe. 

Nada contra ter uma estratégia de promoção, que aliás é essencial. Muitos menos contra pensar e executar formas originais de fazer passar mensagens e de se manter relevante, mas mentir conscientemente a jornalistas é dar um tiro no pé e algo que um assessor se deve recusar a fazer.

Isso mesmo já foi “violentamente” expresso por Nova Gente, Magg ou Sábado. David Carreira terá, nesta altura, os jornalistas portugueses contra si e a mesma fonte que passou informação não verdadeira, dificilmente terá credibilidade para voltar a passar informação. 

Mas até que ponto o caso vai afetar a carreira de David? David comunica com a sua base de fãs através das redes sociais e aí, a sua fama parece intocável. Viram-se até manifestações de júbilo do próprio e dos fãs, depois de David revelar que era tudo um embuste.

David tem cerca de um milhão de seguidores no Facebook e mais 660 mil no Instagram. Estes não parecem incomodados com o caso e não parecem ter a ideia de deixar de seguir o jovem performer. Acresce a isto, o facto de David fazer parte da realeza portuguesa do entretenimento. 

Se há pelo menos um milhão de seguidores de David Carreira, os meios de comunicação social, sempre a lutar pelo equilíbrio financeiro, podem ignorar esse número e fazer um embargo a Carreira?

A meu ver, é fatal que tenha que se engolir um sapo gigante, e que David continue a ser notícia. Com dupla verificação de fonte. 

A era das desculpas

01.06.19, Francisco Chaveiro Reis

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“Burger King pede desculpa por anúncio com pauzinhos” e “Cadeia de supermercados acusada de racismo por causa deste pato da Páscoa” são duas notícias recentes que contam como duas marcas foram alvos de críticas por determinadas ações de comunicação e acabaram a pedir desculpa. Parece que nunca, como hoje, se pediram tantas desculpas e parece que nunca, como hoje, as marcas pedem desculpa.

Mesmo que os consumidores valorizem o ato da marcas de pedir desculpa, o pedir de desculpas por parte das marcas, parece ser quase diário e de tão repetitivo que se torna, até pode ser banal.

Estamos numa era em que uma marca que não peça desculpa, poderá ser única. Mas esta é uma opção arriscada e que pode por em causa a relação com os clientes.

Mas como chegámos até aqui? As marcas estão mais descuidadas do que nunca? O mundo está demasiado politicamente correto? Há demasiados olhos a ver maldade onde ela não existe?

Ou há hoje em dia canais de comunicação mais rápidos e eficazes que permitem que cada um espalhe a sua opinião, por mais extrema que seja, e tenha poder de criar uma pequena influência que ameaça uma determinada marca?

Talvez a resposta seja a soma de todas as hipóteses, com a última ter um pouco mais de peso.

Claro que se deve analisar caso a caso. Quem erra, deve pedir desculpa. E por muito profissionais que as equipas de marketing e comunicação sejam, há dias maus ou reações imprevisíveis.

Quem é criticado, sem razão, não tem que pedir desculpa. Ou tem? A bem de uma relação normalizada com os seus clientes?

Se em causa estiver um mercado novo e que interessa explorar, convém normalizar as relações e não correr riscos.

Recentemente, a Zippy, marca de roupa para crianças, foi também atacada mas não se desculpou. Nem, a meu ver, havia razão para o fazer.

A Zippy foi criticada por lançar uma coleção sem género, ou seja, por fazer roupa unissexo. De forma inteligente e desconfio, sem que haja mal algum nisso, concertada e não orgânica, a marca respondeu através da influência exercida sobre vários KOLS.

Nos dias subsequentes à polémica, tivemos figuras publicas como Carolina DeslandesNuno Markl ou António Raminhos a defenderem a marca. A estes porta-vozes, juntaram-se outros em formato de artigo de opinião, aquiaqui ou aqui.

Este foi um caso bem gerido. Não se pediram desculpas, afinal só se tentou simplificar a escolha de roupa mas atuou-se em termos de comunicação, minimizando riscos para a reputação.

Numa era de desculpas, não deixa de ter piada o aparecimento de uma marca que faz das desculpas o seu nome próprio: Desculpa babe. Haverá aqui razão para desculpas?